ALDA MARIA LENTINA

Alda-Lentina

ALDA MARIA LENTINA

Título: Maria Graciete Besse: das margens do exílio à exiliência no feminino

Resumo: Ao explorar as Representações da Diáspora Portuguesa do Século XX e nomeadamente os destinos de alguns escritores portugueses que se exilaram no estrangeiro, Ana Paula Coutinho Mendes estabelece uma diferença entre “os casos de exílios impostos pelas circunstâncias” sociais, políticas e culturais, e os de “exílio deliberado, voluntário”, que causaram o abandono do país natal. É de notar que para ilustrar o caso de “exílio deliberado”, ou mais precisamente de “auto-exílio”, a investigadora menciona maioritariamente autoras ou artistas femininas, por exemplo Maria G. Besse, Maria Gabriela Llansol ou ainda Vieira da Silva. Esta distinção aponta para uma tomada em conta da “feminização do movimento de migração”, aspecto sobre o qual poucos estudos, até muito recentemente, se debruçaram, e, em segundo lugar, vem sublinhar uma especificidade de género no movimento migratório português, pondo em causa o androcentrismo das ciências sociais e humanas que eleva o homem (e as suas preocupações) a nível de referente universal nos movimentos de e/imigração. Pois, como escreve Mirjana Morokvasic a propósito da marginalização da experiência exílica feminina: “Birds of passage are also Women…”. Essa estudiosa acrescenta que para as mulheres “migration is a move from a more oppressive […] to a less oppressive environment”, um movimento que prefigura “a rejection, conscious or unconscious of traditional female roles […].” À luz destas afirmações sobre o tema do auto-exílio feminino e da sua possível correlação com a recusa dos papéis ou estereótipos impostos às mulheres, propomo-nos desenvolver uma análise da obra ficcional de Maria G. Besse, atentando sobre a maneira como esta espelha os motivos/preocupações/frustrações ligados à condição feminina em Portugal. Assim, esforçar-nos-emos por revelar como, numa espécie de imbricação entre vida e obra, o ciclo ficcional da escritora transpõe o auto-exílio vivido nas experiências exílicas das suas personagens femininas, revelando “um desejo indelével de emancipação” para “escapar ao determinismo social da genealogia feminina” e, através disso, a escolha de um “não-lugar”, de uma “outra maneira de ser”, próprios da Exiliência .

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Alda Maria Lentina é Professora Auxiliar na Universidade de Dalarna, Suécia. Doutorada pela Universidade de Paris-Sorbonne, Paris IV, com uma tese intitulada Agustina Bessa-Luís et l´écriture de l’Histoire (2012), orientada pela Professora Dra Maria Graciete Besse e para a qual beneficiou de uma bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É membro permanente do Centro de Pesquisas Kultur, identitet och gestaltning (KIG) – Grupo Litteratur, Identitet och Transkulturalitet (LIT) na Universidade de Dalarna e do Centre de Recherches Interdisciplinaires sur les Mondes Ibériques Contemporains (CRIMIC) na Universidade de Paris-Sorbonne, Paris IV. Áreas actuais de pesquisa: Literatura dos países lusófonos, História das mulheres, Imagens e Representações do feminino e do masculino, “Ecriture-femme”, Alteridade, pós-modernidade, Identidade nacional e Desconstrução, “Gender Studies” e “Postcolonial studies”.