INOCÊNCIA MATA

INOCÊNCIA MATA

Título: O exílio geracional feminino e a “identidade exílica” na literatura são-tomense: da escrita anti-colonial aos ecos pós-coloniais

Resumo: O contrato, figura emblemática da exploração colonial, é um tema recorrente da literatura são-tomense, desde a primeira obra que marca a modernidade literária são-tomense (Ilha de nome santo, 1942, de Francisco José Tenreiro). Porém, se na poesia dos poetas da Casa dos Estudantes do Império o contratado, ser desterrado e desumanizado – e a mulher contratada, que aqui interessa – aparecia como não são-tomense que olhava, nostálgico, para o passado, na poesia pós-colonial, particularmente na de Conceição Lima, a contratada aparece como o paradigma do Outro subalterno no seio de uma sociedade em que as relações coloniais se metamorfosearam em termos de sujeitos. Mas é na filha do contratado – que não conhece outra realidade e que por isso não realiza a sua condição de fora do lugar, não obstante diferenças, como a linguística, uma das categorias da sua “identidade exílica” (Julie Lussier) – que essa subalternidade é mais evidente, exponenciada pela discriminação de género. Por outro lado, essa “identidade exílica” é actualmente cultivada no bojo da afroinsularidade (Conceição Lima) que tanto Olinda Beja quanto Conceição Lima celebram, numa vinculação ora insular crioula ora continental. O objectivo desta comunicação é reflectir sobre estas duas formas femininas de “identidade exílica” na literatura são-tomense.

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Inocência Mata é Doutora em Letras pela Universidade de Lisboa e com pós-doutoramento em Estudos Pós-coloniais (Postcolonial Studies, Identity, Ethnicity, and Globalization, University of California, Berkeley). Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) na área de Literaturas, Artes e Culturas. É membro do Centro de Estudos Comparatistas da FLUL, da Association pour L’Étude des Literatures Africaines (APELA, França), da Associação Internacional de Estudos Africanos (AFROLIC, Brasil) e da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa (AILP_CSH); membro fundador da União Nacional de Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe (UNEAS), sócia honorária da Associação de Escritores Angolanos (UEA) e Membro Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa – Classe de Letras. Professora convidada de muitas universidades, nacionais e estrangeiras, tem colaboração dispersa em jornais e revistas da especialidade e é autora de livros de ensaios na área de literaturas em português e estudos culturais e pós-coloniais, dentre os quais se destacam os últimos: Polifonias Insulares: Cultura e literatura de São Tomé e Príncipe (2010) e Ficção e história na literatura angolana (2011), Francisco José Tenreiro: as múltiplas faces de um intelectual (2011), A Rainha Nzinga Mbandi: história, memória e mito (2012), A Literatura africana e a crítica pós-colonial (2013) – para além de obras em co-autoria. Já foi distinguida com vários prémios, sendo o último o PRÉMIO FEMINA 2015.