MARIA GRACIETE BESSE

MARIA GRACIETE BESSE

Título: Deslocações, heterotopias e exiliências na obra de Lídia Jorge

Resumo: Desde O dia dos prodígios (1980) até O amor em Lobito Bay (2016), a obra de Lídia Jorge interroga incansavelmente os enigmas da realidade, evocando diferentes situações de mobilidade que apontam para importantes modificações sociais e activam uma tensão identitária que descentra, desconstrói e desloca as certezas. Ao mergulhar na revisitação crítica da sociedade portuguesa, a escritora filtra um tempo sensível, transformado estéticamente graças a uma linguagem lúcida, por vezes lírica e irónica, marcada por alguma melancolia. Neste estudo, propomos analisar a dimensão do olhar viático de Lídia Jorge, que desenha com grande mestria a espessura da diferença, a cartografia dos afectos e também as exiliências (Nouss) definidas como “condição e consciência” de dinâmicas heterotópicas, capazes de materializar um certo número de virtualidades axiológicas. Veremos assim como, em algumas das suas ficções, a autora mobiliza um nó existencial na teatralização da dualidade e uma postura crítica que remete para uma ética da responsabilidade, implicando tanto um testemunho sobre o mundo contemporâneo como um compromisso inadiável com o futuro.

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Maria Graciete Besse é Professora Catedrática na Sorbonne (Paris IV) e especialista de literatura portuguesa contemporânea. Fundou em 2004 o Seminário de Estudos Lusófonos, no seio do CRIMIC. Membro do comité de redação de diversas revistas literárias nacionais e internacionais onde publicou numerosos artigos (Colóquio-Letras, Vértice, Intercâmbio, Jornal de Letras, Mealibra, Quadrant, Latitudes, etc.). Organizou diversos colóquios internacionais sempre seguidos da publicação das respectivas Actas. Publicou, a título individual, várias obras de crítica literária, entre as quais Percursos no feminino, Ed. Ulmeiro, Lisboa, 2001; José Saramago e o Alentejo: entre o real e a ficção, Casa do Sul, Évora, 2008; Lídia Jorge et le sol du monde. Une écriture de l’éthique au féminin, L’Harmattan, col. “Créations au féminin”, Paris, 2015; Corpos cantantes. Estudos sobre a literatura portuguesa contemporânea, Chiado Editora, Lisboa, 2016; Partager les lucioles. Réflexions autour de la littérature portugaise, Paris, Ed. Convivium Lusophone (no prelo). Desde 1983, publicou em Portugal várias obras de poesia e de ficção, nomeadamente Errâncias, Ed. Escritor, Lisboa, 1992; Mediterrâneo: um nome de silêncios, Ulmeiro, Lisboa, 1999; A ilha ausente, Casa do Sul, Évora, 2007; Incandescências, Ed. Europa-América, Lisboa, 1991; Entre o país e o longe (com Diogo Conde), Ed. Escritor, Lisboa, 1995.